quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


MEU TEMPO PRESENTE
(O amor do agora)

Quero o amor do agora que caiba no espaço e no tempo...

Tenho pressa de viver o instante presente
Estar deliberadamente preso ao tempo presente
Fazer do agora um eterno presente.

Tenho pressa de viver intensamente
Como o andarilho em andar simplesmente
Meu porto é o teu corpo
Ilhas cercadas de sentimentos amenos.

Navego em velas atiçadas pelo vento
E vou ao encontro de mim mesmo, te encontrando
Posto que estás em toda parte
No espaço, no mar, no chão, no ventre das noites.

Quero viver este instante presente
Porque nele me vejo completamente
Me vejo neste instante eternamente.

Márcio Carvalho
Fortaleza, 14/08/2008.

BUSCA

Perdido em versos eu me acho
Escrever é ver o que está escondido em mim
É sentir-se livre, embora preso nas dobras das lembranças.

Tantos rios, ribanceiras, águas que se foram sobre lençóis de ouro
Tantos versos velozes: enchentes que secaram os meus olhos
Hoje vejo somente o que restou de nós: remendos de ti...

Exercito em cada segundo um século da minha vida
Projeto imagens penduradas nos varais dos tempos
E percebo que tudo passa como uma sombra que foge da luz.

Num curto espaço de tempo ouço gritos em tempestades
E me lanço num frenesi de heranças fatais
E tudo descamba num mais profundo silêncio: morro!

Márcio Carvalho
Fortaleza, 16/06/2008.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


SONETO DO AMOR TOTAL

Deixa eu te olhar profundamente
Beber no teu pensamento
Deixá-lo fluir no meu íntimo
Como vento em uma noite cansada.

Deixa os teus olhos aquecerem minha tez
Que nem botões em uma noite enluarada
Brotando sonhos e sensações
Colorindo uma primavera aguardada.

Deixa-me eu ser apenas teu
Ser o teu habitável ser
Construir muros, ser teu abrigo.

Deixa-me alvorecer em ti
Conduzir teus dúbios passos
Até a estação que mora em mim.


Fortaleza, 16 de janeiro de 2009.

POEMA PARA TI
(Poema da ternura)

Em ti repouso o meu último olhar
Em ti sou sombra em alto mar
Em ti o perigo não fim
E o perigo sem ti não mora em mim.

Sou chave em porta entreaberta
Sou horizonte visto da janela
Sou o que nunca me alcançou
Sou da tempestade o que restou.

Sou passos lentos, lendo o caminho
Aberto com as mãos do destino...

Fiz de mim tua eterna morada
Construída com raios de ternura
Aquecida pela luz do luar!


(Fortaleza, 12 de outubro de 2008.)

AMO-TE

Amo-te de todas as formas
E mesmo se não as existissem
Inventaria uma de te amar.

Amo-te como um amor
Que não cabe num poema
Nem num infinito de linhas
E que não cabe numa vida inteira
Mas que cabe em mim.

Amo-te mesmo sem ter você.
Amo-te mesmo que passe mil anos,
Mesmo que seja no esquecimento
Do teu lembrar.
Já amei em muitas vozes
Agora amo em silêncio
O amor dos poetas...

Encontro-te na solidão das noites,
Encontro-te na luz dos dias
E me abrigo no sorriso do teu olhar.
E vivo intensamente
Um amor que prescinde de ti
Por ser demais belo
E por não caber em si.
Amo-te...


Márcio Raimundo
Fortaleza, 05 de maio de 2008.

O AMOR

Procura-se o amor
Dentro de um sorriso...
Num vasto jardim
Ou no interior de uma flor.

Procura-se o amor
Que vaze o sentimento
Revelado pela alma
Num instante milenar.

Procuro o amor
Às margens de mim.
Intenciono o amor
Para dentro de mim.

Mas o amor achou portas...

Pelo olhar de uma janela
Procura-se o amor.

Procura-se um amor
Que caiba num poema
Procuro um amor
Que caiba em mim.

Ele que sempre esteve
Tão próximo...

Por onde andará o amor?


Márcio Carvalho
21/04/2008, Fortaleza-CE

NOSTALGIA NO OLHAR

O sol se despede por trás da linha do olhar
A noite com seus longos braços me acolhe
É mais um dia que se instaura na memória
E adormeço inebriado pela fagueira brisa de lá.

Saudosos tempos, remotos pensamentos
Que margeiam meu cenário atual.
Quantas doçuras bebi daquelas nascentes
Que deslizavam sobre o corpo dos rochedos.

Sei que a lembrança me embala, mas dói
Mundos resvalam em meus frágeis dedos
Sei que o peso do tempo enterrou meu olhar.

Linhas paralelas em um árduo chão
Traçam e mitigam o meu caminhar
Neste sertão/mar que me faz sonhar...


Fortaleza, 29 de julho de 2007.